Data do evento:
Terça, 10 de Outubro de 2000, 10:00

Globalização, há pelo menos uma década, e Nova Economia, mais recentemente, têm sido termos largamente utilizados no debate econômico. Fazem referência, explícita ou implicitamente, a fenômenos concretos, como a intensificação do comércio internacional, a expansão dos fluxos de capital financeiro e produtivo, a difusão de mudanças institucionais de cunho liberal, o surgimento de empresas e mercados inteiramente novos e a ampla transformação de firmas e atividades pré-existentes. O momento atual da economia mundial apresenta características complexas, instáveis e, por vezes, desconcertantes e contraditórias. O volume de exportações tem crescido globalmente a uma taxa anual elevada (duas vezes a do PIB) e, no entanto, os episódios protecionistas se avolumam incessantemente, comprometendo a inserção de muitos países. O fluxo de investimento das empresas multinacionais se acelera, mas a capacidade produtiva e exportadora em países como o Brasil não responde de forma expressiva. Empresas criadas há menos de 25 anos, como a Microsoft e a Cisco Systems, posicionam-se entre as dez mais valiosas do planeta, mas o predomínio de firmas mais antigas continua firme.

O objetivo primordial deste seminário é contribuir para a interpretação e debate dessas questões com base nos resultados de uma pesquisa que está sendo concluída pelo GEEIN (Grupo de Estudos em Economia Industrial, sediado no Departamento de Economia da Universidade Estadual Paulista, campus de Araraquara). Afinal, que possibilidades as atividades econômicas brasileiras encontram na economia global? E que dificuldades e restrições enfrentam? Quais são, enfim, os desafios?

Sob o título "LIMITES E POSSIBILIDADES DO BRASIL NAS CONFIGURAÇÕES PRODUTIVAS GLOBALIZADAS", a pesquisa estudou cinco atividades econômicas: Frutas frescas de origem tropical, Siderurgia, Petroquímica, Cosméticos e Software. O estudo foi financiado pelo IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Brasília), organismo vinculado ao Ministério do Planejamento, e reuniu uma equipe de pesquisadores universitários da UNESP e de outras Universidades: Ademil Lopes, Ana Paula Matusita, Célio Hiratuka, João Furtado, José Eduardo Roselino, José Marangoni Camargo, Marcelo Pinho, Orlando Martinelli, Renato de Castro Garcia, Rodrigo Sabbatini e Rogério Gomes, além de estudantes e bolsistas. A realização do Seminário conta com o apoio do IPEA e do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar.

Para apresentar e discutir estes resultados, o GEEIN está organizando um seminário nos dias 18 e 19 de julho de 2000, no câmpus da UNESP em Araraquara. Cada um dos trabalhos será apresentado pelos seus autores e debatido por outros pesquisadores de diversas instituições que se ocupam de temas de economia industrial. O seminário está aberto ao público universitário e à comunidade que terão a oportunidade de participar com perguntas e comentários.

O seminário será aberto por uma conferência proferida pelo Professor Antonio Barros de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de diversos livros e artigos sobre a economia e a indústria brasileira e ex-presidente do BNDES.